Índia em dados

Qual é a religião da Índia? Hinduísmo e minorias em números.

Em poucas palavras: a religião da maioria dos indianos é o hinduísmo, que reúne cerca de 80% da população, mas a Índia não tem religião oficial e abriga muçulmanos, cristãos, sikhs, budistas e jainistas em números que, somados, chegam a cerca de 234 milhões de pessoas. Este guia mostra os números do último censo e o que eles deixam de dizer.

Ilustração: rua de uma cidade indiana ao entardecer com a cúpula e o minarete de uma mesquita e a torre de uma igreja ao fundo

Os números do Censo de 2011

O último censo concluído na Índia é o de 2011. Ele contou cerca de 1,21 bilhão de pessoas e registrou a religião declarada por cada uma.

ReligiãoPessoas (milhões)Parcela da população
Hindus966,379,8%
Muçulmanos172,214,2%
Cristãos27,82,3%
Sikhs20,81,7%
Budistas8,40,7%
Jainistas4,50,4%
Outras religiões e crenças7,90,7%
Religião não declarada2,90,2%

Os números são arredondados a partir dos valores do Registro Geral do Censo (Office of the Registrar General), que os divulga em “crores” (1 crore equivale a 10 milhões).

O que a tabela não mostra

Primeiro, a tendência. Segundo o Pew Research Center, os hindus eram 84,1% da população em 1951 e 79,8% em 2011, enquanto os muçulmanos passaram de 9,8% para 14,2% no mesmo período. A mudança é lenta e acontece em seis décadas, não em uma geração.

Segundo, a média esconde mapas muito diferentes. Em Nagaland, Mizoram e Meghalaya, os cristãos são a maioria. Em Bengala Ocidental, são 0,7%. A distribuição por estado está em quantos cristãos há na Índia e onde vivem.

Terceiro, o censo registra o que a pessoa declara, não o que ela pratica. Quem se declara hindu pode seguir uma tradição local, adorar uma divindade regional ou participar das festas de outra religião. Um exemplo disso são as festas que reúnem todos, como as descritas em Diwali e Holi e no calendário de festivais.

Hindus, muçulmanos e as demais minorias

O hinduísmo não tem fundador único e tem vários textos sagrados, e reúne tradições muito diferentes entre si, com muitas divindades e escolas. Por isso, ao dizer que 79,8% dos indianos são hindus, o censo agrupa jeitos de crer bem variados. Os muçulmanos, com cerca de 172 milhões, formam a maior minoria. A categoria “outras religiões e crenças” soma cerca de 8 milhões de pessoas, número que inclui tradições locais, muitas ligadas a povos tribais.

O budismo, hoje com 0,7%, tem uma parte de sua história recente ligada à casta: em 1956, o líder dalit B. R. Ambedkar converteu-se ao budismo, em Nagpur, junto com centenas de milhares de seguidores, em protesto contra o sistema de castas.

A Índia não tem religião oficial

Ao contrário do que alguns textos afirmam, o hinduísmo não é a religião oficial do país. A Constituição define a Índia como república secular (o termo “secular” foi acrescentado ao Preâmbulo em 1976, pela 42ª Emenda) e o artigo 25 garante a todas as pessoas a liberdade de consciência e o direito de professar, praticar e propagar a religião. Na prática, vários estados criaram leis anticonversão que restringem a mudança de fé, e o resultado dessa tensão aparece nos números da perseguição.

Crenças que atravessam as religiões

Uma pesquisa do Pew Research Center, feita com quase 30 mil adultos entre novembro de 2019 e março de 2020, mostra que a fronteira entre as religiões é menos nítida do que a tabela sugere. A mesma proporção de hindus e de muçulmanos, 77%, diz acreditar em carma. Já a ideia de que o rio Ganges purifica foi aceita por 81% dos hindus, 32% dos cristãos e 26% dos muçulmanos. A reencarnação, por sua vez, é aceita por 40% dos hindus, 29% dos cristãos e 27% dos muçulmanos.

Para quem acompanha a igreja na Índia, o dado tem consequência prática: muitos cristãos indianos vieram de um ambiente em que essas ideias fazem parte da cultura da família, e a formação bíblica precisa tratar delas com cuidado e respeito.

O sistema de castas atravessa as religiões

A religião declarada não explica sozinha a vida social. A casta também define casamento, trabalho e acesso a direitos, inclusive para cristãos e muçulmanos. O sistema de castas mostra por que um dalit que se torna cristão perde, pela lei, benefícios que manteria se fosse hindu, sikh ou budista.

O que muda no censo de 2027

O próximo censo da Índia é o primeiro feito por meios digitais e acontece em duas fases. A primeira, de listagem de domicílios e condições de moradia, foi programada para abril a setembro de 2026, com um período de 30 dias em cada estado. A segunda, de enumeração da população, está prevista para fevereiro de 2027, com data de referência em 1º de março de 2027. Nela, cada pessoa será perguntada sobre a religião e sobre a casta. Até o censo de 2011, só eram contados de forma sistemática os grupos classificados como castas e tribos registradas; registrar a casta de toda a população é algo que um censo nacional não faz desde 1931.

Os resultados da pergunta sobre religião só devem aparecer depois da conclusão da enumeração. Até lá, os números de 2011 continuam sendo o dado oficial mais recente.

Ore para que os cristãos indianos, uma minoria de pouco mais de 2%, possam se declarar sem medo no censo, e para que cada vizinho hindu, muçulmano, sikh ou budista seja visto como uma pessoa por quem Cristo morreu.

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