Pioneiros · 1761–1834
Retrato de William Carey

William Carey

O sapateiro inglês que se tornou o "pai das missões modernas" — e traduziu as Escrituras para mais de 40 línguas indianas.

Poucas vidas ilustram tão bem o poder da perseverança quanto a de William Carey. Nascido em 1761 numa vila obscura da Inglaterra, com pouca educação formal, tornou-se aprendiz de sapateiro — e foi nesse ofício humilde que começou, sozinho, a aprender grego para poder ler o Novo Testamento no original. Quando anunciou, ainda jovem pastor batista, seu chamado para as missões estrangeiras, um ministro mais experiente o interrompeu publicamente: "Sente-se, jovem! Quando aprouver a Deus converter os pagãos, ele o fará sem consultar a você ou a mim." Carey não se sentou.

Uma partida marcada pela pobreza

Em 1793, aos 32 anos, Carey embarcou para a Índia com a esposa Dorothy e os três filhos do casal. Os primeiros anos foram de sofrimento quase constante: pobreza extrema, doenças, a morte de um dos filhos por disenteria e o colapso da saúde mental de Dorothy. Mesmo no que ele próprio chamou de "vale da sombra da morte", resumiu sua fé numa frase simples: "Eu tenho Deus, e sua promessa é certa."

Sete anos até o primeiro fruto

Carey aprendeu bengali e começou a traduzir a Bíblia e pregar para pequenos grupos, mas o primeiro converso só viria em dezembro de 1800 — sete anos depois de sua chegada. A partir de então, ao lado de William Ward e do casal Joshua e Hannah Marshman, formou o que ficou conhecido como o "trio de Serampore". Juntos fundaram, em 1818, a Faculdade Serampore, hoje uma universidade em pleno funcionamento.

41 anos sem voltar para casa

Ao longo de quatro décadas de ministério ininterrupto na Índia, Carey e seus colaboradores traduziram a Bíblia, total ou parcialmente, para dezenas de línguas indianas — um feito sem precedentes na história das missões cristãs. Engajou-se também em reformas sociais, incluindo a luta contra o infanticídio e contra o sati, a prática de viúvas se imolarem na pira funerária do marido. Sua influência alcançou missionários que vieram depois dele, como Adoniram Judson (Mianmar), Hudson Taylor (China) e David Livingstone (África) — uma cadeia de vocações que, dois séculos depois, continua inspirando quem, como este projeto, também traduz as Escrituras para línguas que ainda não as tinham.

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