Pioneiros · 1858–1922
Retrato de Pandita Ramabai

Pandita Ramabai

Erudita em sânscrito e reformista social que traduziu a Bíblia para o marata e fundou um refúgio que mudou a vida de milhares de viúvas e órfãs.

Nascida em 1858 numa família hindu de casta alta, Ramabai Dongre recebeu, ainda menina, uma educação incomum para o padrão da época: o pai a treinou em sânscrito clássico, a ponto de ela se tornar reconhecida como uma das eruditas mais respeitadas do país — o título honorífico "Pandita" reconhece exatamente essa erudição. Sua vida, porém, tomaria um rumo que ninguém em sua família poderia prever.

De erudita hindu a cristã convicta

Após a morte dos pais e do marido, Ramabai passou a se dedicar à causa das mulheres indianas — sobretudo das viúvas, tratadas com grande dureza social pelos costumes da época. Viagens à Inglaterra e aos Estados Unidos a aproximaram do cristianismo, ao qual se converteu ainda estudando as Escrituras em profundidade. Diferente de missionários ocidentais que chegavam à Índia de fora, Ramabai trazia a autoridade de quem conhecia o hinduísmo por dentro — e defendia que a fé cristã na Índia deveria se expressar através da cultura indiana, não de um molde importado do Ocidente.

Mukti: um refúgio que virou comunidade

De volta à Índia, fundou perto de Pune (então Poona) uma casa de acolhimento para viúvas jovens e órfãs chamada Mukti — "salvação", em sânscrito. O que começou como um pequeno abrigo cresceu para uma grande comunidade, com escola, formação profissional e trabalho agrícola, sustentada pela fé de que Deus proveria, no mesmo espírito de George Müller e seus orfanatos na Inglaterra. Ramabai também traduziu a Bíblia diretamente do hebraico e do grego para o marata, língua de sua região.

Um avivamento em 1905

Em janeiro de 1905, preocupada com a necessidade espiritual das jovens sob seus cuidados, Ramabai convocou um grupo de voluntárias para orar diariamente por avivamento. O grupo cresceu de 70 para mais de 500 jovens reunidas em oração duas vezes ao dia. Em junho daquele ano, um poderoso mover do Espírito Santo tomou conta da comunidade de Mukti — episódio que historiadores do movimento pentecostal reconhecem como um dos avivamentos paralelos mais significativos do início do século 20, ocorrendo quase ao mesmo tempo do avivamento da Rua Azusa, nos Estados Unidos, sem qualquer contato entre os dois movimentos. Da comunidade de Mukti saíram dezenas de mulheres que levaram o mesmo fervor a igrejas por toda a região.

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